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Contacto
Voo da Copa Airlines, na classe turistica babona, ou seja, primeira fileira logo depois da classe executive que comia camarao enquanto a gente comia nao sei que com arroz e um delicioso café panamenho, café alias que ja descobri como sendo o pior do pais. Tampouco bebi a cerveja Balboa, mas vai dar tempo depois. O Carlos veio ouvindo música e eu treinei español ouvindo um documentario CNN sob encomenda para a Copa que falava sobre algunas de seus destinos, claro. Ai o taxi buscou a gente la no Tocumen ou Aeropuerto Internacional Omar Torrijos Herrera, hombre que quando eu tiver tempo quero checar se e o cara dos tratados Torrijos/Carter assinados nos anos 70 para devolver o Canal pro pais. Alias, se alguem quiser checar e me dizer, agradeco bastante. A cidade e linda, parece uma mistura de Rio com Sao Paulo e sem praia. Um taxista disse que tem gente que fala que parece Miami, e quando eu disse que achava que nao se deveria comparar nada com os USA, ele apoiou e tudo. Taxistas e todo o resto sao bastante patrioticos, o que e legal. Um monte de carros e taxis leva a bandeirinha do Panama no vidro. O hotel em que a gente ficou na primeira noite, way alem de nossas posses, mas servindo para desquebrar as costelas, tinha vista para Ponte das Americas. Nosso cuarto tinha vista para ela! Mas durou pouco a festa. Foi uma noite, e no dia seguinte a gente subiu o Cerro Ancon, símbolo da devolucao da Zona do Canal, e no topo de que esta uma bandeira gigante (e bonita) do Panama. Junto a ela esta a estatua da dona Adelia, que escreveu um poema sobre a usurpacao do territorio. A area de Ancon, lugar de La Estancia, nosso B&B, e bem esquisita. Nada tem cerca, as coisas tem cara de casa do The Sims, com umas decoracoes luxuosissimas de natal, e e tudo muito americano. Lembrou Brasilia: sem calcada e sem gente na rua. So que com uns carroes. Todo mundo tem carrao por la, e incrivel. Depois de subir a montanha e ficar com a lingua ate o joelho (o Carlos, mais bem preparado, ficou com a lengua so ate o peito), a gente foi ao Edificio de la Administración del Canal de Panama, onde tem uns murais lindissimos, e so os murais mesmo. Mas vale muito a pena e a gente fez um filminho de camera com eles. Sobre filmes e fotos, alias, o Carlos esta mais liberal que quando de Buenos Aires. Ele nao me manda mais guardar a maquina, so me chama de japones e me deixa em paz. Por falar em japones, encontramos uns em Portobelo, com a camera disparando sem parar. A gente acha que e brincadeira, mas e muito verdade. Eles nao conseguem enxergar sem lente. Ou melhor, nao enxergam sem visor, hojee m dia. E havia em Portobelo tambem uns gringos – PASMEM – de chapeu cata ovo e roupas caqui esverdeadas… Eu achava que isso era so coisa de quadrinho. E os sonuvabitch dos gringos ficavam entrando nas nossas fotos. O Carlos comentou que nunca havia se sentido tao cool na vida, sendo um turista normal, interessado em conversar com as pessoas que vivem no local, etc. Mas antes de ir a Portobelo, a gente foi, no mesmo dia do Cerro Ancon, para o Canal do Panama. E bem legal, eles temu m centro de visitas super didatico, e nao para de passar naviozoes gigantes pelas eclusas (em espanhol esclusas, olha que engracado). E eu comprei uma gravata de barquinhos com eclusinhas. E postais, que ja vao comecar a sair do pais… Nesse dia, ainda fomos ao Summit Zoo and Botanical Gardens. Bom, esse ai e um zoo and botanical gardens, period. E ja que misturei ingles no portugues, preciso comentar que engracado os panameños. Eles falam Okay. E mais coisas que sei la agora. E aquí em Bocas del Toro, onde chegamos hoje pela manha depois de pegar o Expresso Polar, um busao que vem com ar condicionado setecentos graus abaixo de zero, aquí eles falaz uma lengua que so eles entendem, tipo elo ma frend buenos dia. Todo bien, good. No uomanocrai. Muito legal. A populacao negra e enorme, seguida pela de gringos locos, depois pela de turistas e depois pela de indios. Depois de amanha, alias, eu e Carlos vamos ate uma aldeia de Ngobe-Bugles. Amanha [e dia de andar de bicicleta por toda a ilha principal. E hoje foi dia de uma trilha de 1h (2h ida e volta) para cima e para baixo ate a praia. Uma trilha que podia chamar Sendero de La Hidratación. Lindo o caminho! Aproveitei muito a paisagem de angulos inusitados – os que eu formava com o mundo depois de escorregar ou de enfiar o pe, minto, a coxa, na lama. Eu ate desbarranquei uma hora e dei DUAS cambalhotas para tras em direcao ao infinito! O Carlos, na hora, ficou numa preocupacao de dar do, mas agora se empenha em tirar sarro da minha cara. Bom, quem conhece, sabe como e. Fiquei coberto de lama e isso nao e figura de linguagem. A Praia Wizard (que nome idiota pruma praia, diga-se de passagem), e linda, mas estava nublado e nao a vimos em cor turquesa, como deveria ser por ser Caribenha… Ai que no caminho de volta, enquanto eu asustaba os gringos, dizia que a praia so valia a pena para quem nao era brasileiro. E, crianzas, voces nao acreditam na trilha que a gente fez. Parece coisa de gente esbelta e forte e sarada (mas nao e, tinha gnte de todo tipo la). Faltou dizer que o terceiro dia na Cidade do Panama foi na cidade de Portobelo, Patrimonio Unescal da Hmanidade, e que tinha um forte Numa ilha onde so eu e o Carlos fomos, o que foi barbaro…um forte so para gente!!! Gentes, chega. To cheio de historias e pagando a Internet em dólar… Depois conto mais.
Escrito por Hugo Lorenzetti Neto às 19h08
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E lá vamos nós!!!
Estamos de saída. Amanhã que é hoje pegaremos o vôo das 7h40min de Brasília para Guarulhos e de lá para Ciudad de Panamá. Chegada às 18h15min de lá, se o caos nos aeroportos (que até agora não presenciei e espero continuar não presenciando) deixar que isso aconteça.
A maior preocupação é que ao chegar em Quiché, Guatemala, os maias (eles existem ainda, pra quem não sabe) descubram que o Carlos é igualzinho ao ídolo de pedra e o obriguem a ficar lá. O Carlos teme que eu, que quero sempre me enfiar em qualquer lugar, mesmo que esteja escrito que não pode, queira descer até dentro do Vulcão Rincón de La Vieja e vire cozido de pó-de-gente misturado com lava. Se isso acontecer, ele vai ter que chegar sozinho em Quiché para assumir seu trono maia. Bem feito. Ele que se vire.
Os guias Lonely Planet, que são feitos pra gringo cor-de-rosinha, avisam muitos perigos existentes na América Central. Em Manágua, por exemplo, quem desce do terminal e anda mais que três quadras para o sul morre. Aliás, os matadores são garotos de bicicleta. Ao chegar no Arquipélago de Bocas Del Toro, no Panamá, a pessoa pega malária, febre tifóide ou febre amarela. Verdade. E vem um menu pra você escolher qual das três você quer, e eles sugerem a promoção do dia. E, além disso, as unhas dos turistas encravam, mal eles tocam na areia. E, finalmente, em El Salvador, o Lonely Planet avisa que há 50% de chance de um passo de uma pessoa disparar uma mina. É por isso que o país parece estar sempre em festa, soltando fogos de artifício. Dá pra ouvir desde Honduras, país, aliás, onde não existe café da manhã (obra de um rei medieval malvado, muito malvado, que proibiu a refeição direto no inconsciente coletivo das pessoas). Pelo Lonely Planet, eu devia ficar aqui na capital brasileira, onde o único tormento é o sacrifício de virgens, e como eu não sou mais virgem, não corro perigo. Aqui em Buenos Aires as coisas são mesmo sossegadas... Que maravilha!

Brincadeiras à parte, O Lonely Planet é bacana pra saber de hotel barato e de ônibus pra andar pelos seis países que vamos visitar. Mas escole uma gringagens óbvias como “coisa ultrabacana a se fazer”, e mete um medo de dar vontade de chamar a mamãe e de cancelar a passagem e viajar pras Europas. (Hmmm... então é essa a estratégia).
O Marcelo, amigo meu e do Carlos é que deu o melhor conselho: não esquecer de curtir muito. Esse eu pretendo seguir e já estou aqui muito triste de ter que voltar só 60 dias depois de ir...
PS: Mandem endereços pra receber postais em hugolorenzetti@gmail.com, porque eu vou checar de vez em quando e atualizar o blogue. Só que isso deve acontecer pela primeira vez em San José da Costa Rica, de modo que esses aí perdem os primeiros postais do Panamá.
Escrito por Hugo Lorenzetti Neto às 02h24
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